Autismo e o glúten

O autismo é um dos mais conhecidos entre os Transtornos Invasivos do Desenvolvimento (TID). É marcado pelo início precoce de atrasos e desvios no desenvolvimento das habilidades sociais, comunicativas e cognitivas, ocorrendo uma interrupção dos processos normais, logo, é uma síndrome comportamental definida, com etiologias orgânicas também definidas.

Devido à natureza dos Transtornos Globais do Desenvolvimento, as intervenções devem ser multidisciplinares, contemplando os aspectos da psicologia, fonoaudiologia e nutrição, entre outros.

Crianças autistas são muito seletivas e resistentes ao novo, fazendo bloqueio a novas experiências alimentares. Portanto, deve-se ter o cuidado de não deixá-las ingerir alimentos que não sejam
saudáveis. Comportamento repetitivo e interesse restrito podem ter papel importante na seletividade dietética.

A Literatura científica tem nos mostrado que, com relação à alimentação, especialmente na hora da refeição, três aspectos mais marcantes são registrados: seletividade, que limita a variedade de alimentos, podendo levar a carências nutricionais; recusa, mesmo ocorrendo a seletividade é freqüente a não aceitação do alimento selecionado o que pode levar a um quadro de desnutrição calórico-proteica e a indisciplina que também contribui para a inadequação alimentar. A má alimentação e a falta de equilíbrio energético são motivos de especial preocupação, pois, a ingestão de micro nutriente está estreitamente relacionada com a ingestão de energia. É provável que as crianças cujo consumo de energia é menor, também sofram de deficiência de ferro e zinco.

As crianças autistas apresentam, com freqüência, sintomas gastrointestinais tais como, dor abdominal, diarréia crônica, flatulência, vômitos, regurgitação, perda de peso, intolerância aos alimentos, irritabilidade, disenteria entre outros. Devido a essas ocorrências seria interessante evitar a ingestão de glúten, presente no trigo, aveia, centeio e cevada, pois pode causar dano conseqüente das vilosidades da membrana intestinal resultando em uma potencial ou real má absorção de todos os nutrientes.

Alguns autores afirmam que o glúten e a caseína causam sensação de prazer, além de hiperatividade, falta de concentração, irritabilidade, dificuldade na interação da comunicação e sociabilidade.

Estudos relatam que indivíduos autistas, os quais aderiram a uma dieta isenta de caseína e glúten, apresentaram melhora dos sintomas.

Em estudos desenvolvidos na Dinamarca, com crianças autistas que foram alimentadas com dieta restrita em glúten e caseína, foram obtidas melhoras consideráveis no comportamento destas crianças após 8 a 12 meses de dieta. O mesmo autor completa ainda, que devido à complexidade e potencial de deficiência nutricional como resultado de longo prazo da dieta, suporte clínico adequado e dietético deve ser utilizado durante toda a tentativa de fazer tal mudança na dieta.

Crianças autistas possuem de duas a três vezes mais chances de serem obesas do que os adolescentes na
população em geral. Os agravos à saúde secundários às morbidades de base, tais como:
paralisia cerebral, autismo etc., foram mais frequentes em adolescentes obesos, em comparação a adolescentes saudáveis e com peso adequado. A atividade física e os cuidados nutricionais são elementos valiosos na prevenção de doenças como a obesidade infantil, independência funcional, participação social e qualidade de vida.

Atualmente poucos centros psiquiátricos incluem o recurso dietoterápico no tratamento do autista e quando o fazem, considera-se principalmente a depressão imunológica causada pela carência de zinco, que é agravada pelo excesso de carboidratos refinados. Fatores estes que favorecem a proliferação tanto da Cândida albicans como a Clostridium difficile, cujas toxinas estão relacionadas com distúrbios infantis, como o déficit de atenção (DDA).

Dietas hipoglicêmicas têm sido propostas para crianças com desvios neuropsicológicos, sendo o açúcar apontado como o causador destas dificuldades.

O Transtorno do Déficit de Atenção, como o autismo, vem aumentando consideravelmente, em crianças nos
últimos anos. As causas desse distúrbio infantil certamente podem estar relacionadas a problemas alimentares, mais especificamente no aumento da permeabilidade intestinal e nas proteínas não
digeridas do glúten e da caseína. Quando absorvidas nas vilosidades intestinais, passam para a corrente sanguínea e podem produzir substâncias estimulantes, provocando a hiperatividade e o DDA.

Ainda com relação ao DDA, vários estudos comprovaram que o uso do ômega 3 associado à restrição de carboidratos refinados pode levar a ótimos resultados.

 

ONDE TEM CASEÍNA

 

A caseína é uma proteína encontrada em todos os produtos que contenham LEITE ANIMAL e seus derivados. Entretanto, ela pode ser encontrada em alimentos que não sejam do grupo de laticínios, como enlatados, embutidos e fármacos.
Para isso devemos estar atentos a palavras como caseinato de …

É mais difícil de detectá-la nos produtos industrializados do que o glúten, pois diferente da lei existente para a exibição obrigatória do aviso no rótulo de: contém glúten, nós não temos este mecanismo de aviso para derivados do leite, por isso devemos ler cuidadosamente os rótulos.
Certa vez estava em um mercado procurando algum embutido que não tivesse glutamato monossódico na sua composição, fiquei surpresa em encontrar derivados de leite no salame!

 

ONDE TEM GLÚTEN

 

  • Pão, torrada, bolacha, biscoito, massas, bolos,

  • Cerveja, pizza, salgadinhos, cachorro quente, hambúrguer;

  • Farinha de trigo, trigo em grão, kibe, cevada, centeio, aveia, gérmen de trigo, triguilho, sêmola de trigo;

  • Queijos, ketchup, maionese, shoyo;

  • Salsicha, temperos industrializados;

  • Cereais, barrinha de cereais, xaropes e alguns remédios.

  • Hóstia distribuída na igreja católica;

  • Molhos branco;

  • sopas desidratadas ou temperos prontos;

 

A criança autista requer cuidados nutricionais, de forma a auxiliar na melhora dos sintomas. O profissional nutricionista deve ser procurado para as recomendações alimentares e suplementação adequada a cada caso.

 

Fonte:  J. A. Carvalho et. al. NUTRIÇÃO E AUTISMO: CONSIDERAÇÕES SOBRE A ALIMENTAÇÃO DO AUTISTA. Revista Científica do ITPAC, Araguaína, v.5, n.1, Pub.1, Janeiro 2012

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