Tratamentos naturais para combater a depressão

Como alternativa ao uso de ansiolíticos e antidepressivos, que podem causar efeitos colaterais e até dependência, os fitoterápicos agem de forma semelhante às drogas sintéticas. Mesmo sendo de origem natural, os fitoterápicos devem ser consumidos com cautela. As plantas possuem milhares de substâncias químicas capazes de reagir de maneira indesejada com medicamentos alopáticos comuns, portando deve-se consultar um médico antes de se automedicar.

Em se tratando das diferenças entre fitoterápico e plantas medicinais, caracteriza-se por fitoterápico o resultado da industrialização da planta medicinal para se obter um medicamento. O processo de industrialização evita contaminações por microrganismos, agrotóxicos e substâncias estranhas, além de padronizar a quantidade e a forma certa que deve ser usada, permitindo uma maior segurança de uso. Os medicamentos fitoterápicos industrializados devem ser registrados no ANVISA/Ministério da Saúde antes de serem comercializados.

Estima-se que a depressão seja um dos transtornos mentais mais comuns, e atinja hoje cerca de 14,8 milhões de adultos a cada ano nos Estados Unidos. O uso de antidepressivos é a indicação mais comum como forma de terapia. Em seguida aparecem a psicoterapia, ansiolíticos, antipsicóticos e estabilizadores de humor.

Em geral, a depressão é caracterizada por sentimentos de tristeza e cansaço, perda de interesse de atividades cotidianas, distúrbios do sono, ansiedade, perda de apetite (ou apetite em excesso), dificuldade de concentração, pensamento suicidas, entre outros sintomas.

 

Medicamentos e tratamentos naturais

 

Diversos estudos sugerem que determinados tratamentos naturais oferecem benefícios à depressão. São eles:

1. Erva de São João 

O Hypericum perforatum, popularmente conhecido como Erva de São João, é indicado para o alívio das crises depressivas moderadas, contudo há indícios de que pode não ser eficaz para as crises mais graves. Atinge seu efeito pleno após 4 a 6 semanas de uso. Os possíveis efeitos colaterais incluem tontura, boca seca, indigestão e cansaço, aumento de fotosensibilidade (necessário uso de protetor solar). A erva de São João, pode interferir no uso de medicamentos como antidepressivos, drogas para tratamento de AIDS, drogas para prevenção de rejeição de órgãos em pacientes transplantados e contraceptivos orais. Não é recomendado seu uso por mulheres grávidas ou em período de amamentação, crianças,  portadores de distúrbios bipolares, de doenças nos rins ou fígado.

2. Omega-3

O ômega 3 é lipídio necessário ao funcionamento normal do cérebro. Como nosso organismo não é capaz de sintetizar o omega3, ele deve ser obtido através da dieta.

Alguns estudos científicos associaram depressão com a baixa ingesta de ômega3. Países com alto consumo de peixes, como o Japão, possuem uma baixa taxa de depressão. Estudos preliminares sugerem que o ômega 3 (DHA e EPA) associado com antidepressivos, têm um efeito melhor que tratamento somente com uso de antidepressivos. Peixes como salmão, sardinhas e anchovas, são fontes ricas em ômega 3 existentes na natureza.

A ingestão diária recomendada de ômega 3 é de 1 a 4 gramas e a concentração de DHA e EPA por cápsula, determinará a necessidade de se consumir mais ou menos cápsulas para alcançar o nível máximo recomendado.A qualidade do óleo de peixe ingerido também é importante. O nível de contaminação por metais pesados como mercúrio, chumbo, arsênico e cádmio pode gerar problemas cardiovasculares, respiratórios, digestivos, reprodutivos, além de afetar o sistema nervoso. Por isso é necessário também consumir produtos de origem certificada.

Deve-se examinar sempre o rótulo para ver se o produto é livre de contaminantes ambientais: PCBs, mercúrio e dioxinas. Ômega 3 de boa qualidade não congela quando em baixíssimas temperaturas. Assim, ao comprar o seu suplemento, abra duas cápsulas ou mais e coloque em um recipiente. Em seguida leve o recipiente ao congelador. Se congelar, não temos um óleo de boa qualidade.

3. SAMe: S-adenosil-L-metionina

O que é o SAMe exatamente?
S-adenosil-L-metionina: suas células estão bem familiarizadas com essa substância. A relativa segurança do SAMe quando prescrito criteriosamente reside no fato de que não se trata de um composto químico sintético. Nada exógeno, isto é, estranho ao corpo. É algo que todas as células vivas produzem constantemente.
Essa produção se dá pela reação entre duas moléculas: o aminoácido metionina (obtido em alimentos proteicos) e o bom e velho ATP (a moeda energética dos nossos organismos). O casamento da metionina com o ATP dá origem ao SAMe.
As reações que levam à formação de neurotransmissores monoaminérgicos – como dopamina, serotonina e noradrenalina – também depende da metilação de moléculas. Sem a participação dos SAMe nesse processo, a síntese desses neurotransmissores fundamentais para o humor e a cognição são comprometidas.
O SAMe intervém na produção de dopamina, serotonina e noradrenalina. Como esses neurotransmissores controlam o humor, a motivação e a cognição, é bem evidente a relevância do SAMe para a patologia da depressão e de outras doenças.

Há décadas, o SAMe é aprovado como medicamento de prescrição na Itália, Espanha, Rússia e Alemanha, com a indicação de antidepressivo. Nos Estados Unidos e no Brasil, o seu uso permanece como o de um suplemento alimentar. Provavelmente, pelo SAMe ser um composto bem antigo, essas empresas não conseguiriam uma patente que garantisse o monopólio do produto como um medicamento. Inexiste um ensaio clínico de larga escala, que tenha analisado o composto em nível populacional, que possa garantir a eficácia para uso do produto como medicamento.

Segundo Maurizio Fava, professor de psiquiatria na Escola Médica de Harvard, “a evidência (sobre a eficácia do SAMe) parece promissora, mas não é definitiva. Alguns países europeus possuem padrões de comercialização diferentes dos americanos”. Por outro lado, existem pares que defendem com unhas e dentes o uso do SAMe na luta contra a depressão. Em 1994, o doutor Giogio Bressa, também professor de Psiquiatria – mas na Universidade Cattolica Sacro Cuore, em Roma, defende que “a eficácia do SAMe em tratar síndromes depressivas é superior ao do placebo e comparável ao de antidepressivos tradicionais”.

4. Ácido fólico ou folato

O folato é a vitamina B9, encontrada em vegetais de folhas verdes, frutas, feijões e grãos fortificados. É uma das vitaminas de maior deficiência em dietas pobres, ou em uso de medicações como aspirina e contraceptivos orais.

Estudos preliminares sugerem que pessoas depressivas cujos níveis de folato estejam baixos, podem não responder adequadamente ao tratamento com antidepressivos, o que se regulariza com a suplementação de folato. Da mesma forma, a deficiência nos níveis de folato em pacientes depressivos e psicóticos, deve ser observada para uma adequada suplementação de forma a evitar os sintomas destas doenças e a resistência ao tratamento medicamentoso.

5. 5-HTP

5-HTP é o acrónimo de 5-hidroxitriptofano (ou 5-hidroxi-L-triptofano). Trata-se de um composto que se encontra fundamentalmente no cérebro. O 5-HTP forma-se a partir do triptofano, um aminoácido natural presente na dieta. O triptofano é um aminoácido essencial, o que significa que não pode ser fabricado pelo organismo e que deve obter-se a partir dos alimentos, especialmente das proteínas. No fígado e no cérebro, o 5-HTP transforma-se num neurotransmissor muito importante denominado serotonina. Os neurotransmissores são mensageiros químicos que transmitem sinais entre os neurônios no cérebro.

A ingestão do 5-HTP aumenta a provisão corporal desta substância, o que dá lugar a níveis aumentados de serotonina no cérebro. A serotonina, também denominada 5-hidroxitriptamina ou 5-HT, desempenha um papel muito importante no controle do comportamento e do humor. Influi em muitas atividades cerebrais normais e também atua como um grande regulador da atividade de outros neurotransmissores. Os níveis adequados de serotonina dão lugar a uma sensação de relamento, calma e leve euforia (felicidade extrema). Pelo contrário, os níveis reduzidos de serotonina, situação conhecida por síndrome de deficiência de serotonina, dão lugar a depressão, ansiedade, irritabilidade, insônia e muitos outros problemas.

Embora suplementar com o 5-HTP pode teoricamente elevar os níveis de serotonina, muitos profissionais relatam não haver evidências científicas suficientes para determinar a segurança do tratamento. Igualmente o 5-HTP não deve ser usado em conjunto com antidepressivos.

O 5-HTP tem outros efeitos sobre o organismo. É um antioxidante que protege o organismo da lesão dos radicais livres (moléculas tóxicas e instáveis). Esta função faz com que o 5-HTP trave o processo de envelhecimento, e proteja o organismo. Ingerir o 5-HTP pode ajudar a conseguir os mesmos benefícios que se tem ao tomar melatonina, para a depressão e a insônia. Há indícios de que o 5-HTP permite aumentar a produção de moléculas que aliviam a dor, que se denominam endorfinas. Alguns estudos demonstraram que os níveis diminuídos de endorfinas se associam com a síndrome da fadiga crônica, a fibromialgia, o stress e a depressão. Além disso, o 5-HTP afeta outros neurotransmissores, como a noradrenalina e a dopamina.

6. Mudanças na dieta

  • Reduza o consumo de doces

Açúcares produzem uma sensação de euforia temporária logo que a glicose sanguínea aumente, em seguida ao cair, produz declínio de humor, simulando o efeito de uma droga.

  • Evite cafeína e álcool

Ambos provocam alterações de humor, aumentam ansiedade, depressão e insônia. O álcool nos relaxa por um período e a cafeína aumenta a energia, porém o efeito é transitório para ambos.

  • Vitamina B6

A B6 é necessária na produção dos neurotransmissores serotonina e dopamina. Muito embora sua deficiência seja rara, pessoas que tomam contraceptivos orais, que façam terapia de reposição hormonal, tomem medicamento para tuberculose, podem estar em risco de deficiência.

  • Magnésio

A maioria das pessoas não consome a quantidade mínima necessária de magnésio em suas dietas. Boas fontes deste mineral são os legumes, castanhas, grãos, e vegetais verdes. Assim como a vitamina B6, o magnésio é necessário para a produção de serotonina.

Cloreto de magnésio é uma maneira segura e eficaz para tratar a depressão ligeira a moderada, sugere um novo estudo publicado na revista PLoS ONE ( Tarleton et al., 2017 ). O mineral magnésio já tem sido associado a reduzir a inflamação e melhoras na depressão. Emily Tarleton, a primeira autora do estudo, disse: “Este é o primeiro ensaio clínico randomizado olhando para o efeito da suplementação de magnésio sobre os sintomas de depressão em adultos norte-americanos. Os resultados são muito encorajadores, dada a grande necessidade de mais opções de tratamento para a depressão, e nossa conclusão é que a suplementação de magnésio fornece uma abordagem segura, rápida e barata para controlar os sintomas depressivos “.

O suplemento de magnésio para depressão começa a fazer efeito depois de apenas duas semanas, descobriram os pesquisadores.

7. Faça exercícios

Exercícios regulares são os melhores meios de melhorar o humor e que pode ser integrado a um plano de tratamento. Exercícios, especialmente os aeróbios, disparam reações químicas cerebrais capazes de reduzir o hormônio do stress. Deve-se escolher alguma modalidade do gosto pessoal e que se possa manter frequência. Exemplos interessantes são a dança, aulas de ginástica, bicicleta, caminhadas de pelo menos 30 minutos diários, 5 dias da semana.

8. Terapia de luz

Tomar banho de sol pode ser um meio eficaz para evitar as alterações de humor. A exposição solar pela manhã, pode auxiliar o ciclo do sono/despertar corporal funcionar melhor. A produção de serotonina, é iniciada através da exposição solar. Durante os meses de inverno, onde há menos sol, os níveis de serotonina podem cair, fazendo com que nos sintamos mais cansados e propensos aos transtornos afetivos sazonais (SAD em inglês).

O SAD é uma condição que ocorre com mais frequência no outono e inverno, quando as horas do dia se tornam mais curtas. A teoria que prevalece é que a falta de luz solar durante estes meses, faz com que a depressão e outros problemas de saúde possam desencadear-se em algumas pessoas.

A desordem pode incluir sintomas como depressão, sonolência excessiva , ansiedade, aumento de peso, alterações do apetite , problemas de concentração e fadiga. Os pacientes frequentemente relatam piora de humor durante dias nublados.

O tratamento da terapia de luz , caracteriza-se com o paciente olhando para uma caixa especial projetada para emitir luz brilhante. A viseira emissora de luz usada na cabeça é uma outra opção para a terapia. O método deve ser aplicado durante aproximadamente 30 minutos por dia . Os medicamentos antidepressivos são prescritos em alguns casos, quando a terapia de luz não é suficiente para ajudar o paciente .

 

Caso você esteja sentindo os sintomas da depressão, procure ajuda de um profissional capacitado. Estatisticamente é demonstrado que as pessoas com depressão não procuram tratamento, no entanto as consequências podem se tornar graves quando não tratadas a tempo.

 

Fontes:

Verywell – www.verywell.com – 8 Natural Depression Remedies to Consider

Folic Acid Levels in a Sample of Portuguese Psychiatric Outpatients. Níveis de Ácido Fólico numa Amostra de Doentes Psiquiátricos Portugueses em Ambulatório Joana Abreu Lopes1, Serviço de Psiquiatra, Hospital Vila Franca de Xira, Portugal.GAZETA MÉDICA Nº3 · VOL. 3 · JULHO/SETEMBRO 2016.

What is SAMe, por Geoffrey Cowley e Anne Underwood (NewsWeek, julho de 1999).

Investigating SAM-e for depression, por Leslie Knowlton (Psychiatric Times, maio de 2001).

http://psicoativo.com/2017/07/magnesio-contra-depressao-barato-e-seguro.html

Revista PLoS ONE ( Tarleton et al., 2017 ).

http://serdanatureza.blogspot.com.br/2012/04/5-htp-alternativa-natural-contra.html

Dra. Fernanda Pedrosa – Ômega-3-avaliar-qualidade

Viktoria Tomova, Ivan Pavlov, Nadezhda Ivanova. Evaluation of the Effectiveness and Mechanism of Action of Hypericum Perforatum in the Treatment of Depressive Disorders.ISSN 2535-0471, 2017.

http://www.anvisa.gov.br/medicamentos/fitoterapicos/poster_fitoterapicos.pdfhttp://saude.abril.com.br/bem-estar/como-os-fitoterapicos-atuam-contra-a-depressao-e-a-ansiedade/

How SAD Lamps Can Help You Fight Seasonal Depression

https://www.elblogdelasalud.info/pt/hierba-de-san-juan-natural-pero-con-efectos-secundarios/15150

http://ondda.com/noticias/2016/08/estudo-indica-que-maioria-dos-adultos-com-depressao-nao-se-trata

3 comentários em “Tratamentos naturais para combater a depressão”

  1. Excelentes informações!!! Vou repassa’-las pois ingeridos muitos medicamentos indicados até por profissionais (substâncias a químicas)) que desconhecem nosso Histórico de saúde, sem que nos apercebamos sobre a gravidade do risco que corremos.

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